Sob as luzes.

Já diria  Gil, que ao subir no palco a alma cheira a talco e que só quem é clarividente pode ver a aura clara de quem está lá, sob as luzes e de fato ele estava certo. O trecho da música está aqui distorcida, mas justamente para falar sobre a plateia, para falar sobre a “torcida”.

A plateia é uma grande democracia de vontades e de vibrações, pois são contempladores de quem um dia se arriscou a se expôr no palco e se propôs a dar um espetáculo. Seja um rock star, palestrante ou atleta, a partir do momento em que existem expectadores tudo muda de contexto, os teus atos não são mais da tua propriedade, não há mais muro…nem limite, porque você está no foco.

O espectador espera sempre algo de quem está no centro do palco. Há quem vibre, há quem vaie escancaradamente um grande “Uhhhuuuuu” e há quem discretamente, torça para que a Joelma enrosque a cabeleira em algum lugar e perca o gingado ou que fique num silencioso mantra, vibrando para que o equilibrista tenha uma coceirinha na ponta do nariz no meio da corda bamba. Tem espectador que é assim, sádico. Faz parte!

A plateia pode ser o impulso e também o algoz. O ticket é liberado para quem quiser comprar e estudante paga meia. O artista arca com os risco de um sucesso absoluto ou de um fracasso monumental…pode chover e a cerveja pode estar quente, só não mais quente que os saquinhos de xixi que os mais ousados arremessam no palco e entre a própria plateia.

Os observadores são diversos e cada um tem dentro de si, a sua dose de empatia. Alguns se identificam, se compadecem com quem está ali exposto, cantam junto e aplaudem. Outros só torcem mesmo é pro circo pegar fogo.

A plateia é assim, veio só para se entreter.

Mas a grande verdade é que a plateia, no fundo no fundo, sempre tem uma vontadezinha de ser astro, de estar no holofote, no foco de tudo. O espectador muitas vezes se projeta em sonhos secretos onde dança de paetê e plumas para um estádio lotado e fervilhante, só na imaginação enche o peito e infla o ego… só no faz de conta.

Nem todo mundo tem o peito para assumir um palco, cair dele, levar choque do microfone e ser dissecado pela crítica. Não é pra todo mundo encarar uma casa vazia e bilheteria fracassada, pois não é do espírito de todos fechar as cortinas e pensar em um novo espetáculo para novamente se expôr sob as luzes.

Ser plateia é sempre seguro, pois do seu assento numerado o aponte de dedos é protegido pela escuridão da multidão. De lá pode sempre examinar, observar e sugerir mil modificações sobre coisas que o artista poderia fazer melhor.

Mal sabe a plateia o trabalho que dá montar todo o show, ou quantas horas de dores e treinos o atleta de alta performance se dedicou para dar o melhor de si em poucos segundos, quantas horas de outras atividades abriu mão para chegar até ali e ficar sob as luzes, sob os olhares.

E é assim, mesmo com a torcida contra, com a plateia vaiando o artista não esmorece, porque muito embora o evento seja aberto ao público, ele começou toda a caminhada do seu esforço para transpor um desafio primeiramente pessoal. E vencido isso, o aplauso é certo.

Todos podem ser palco ou plateia, tudo depende da disposição. Como diria o Poetinha, para “viver um grande amor”… ou para ser palco… é preciso ter peito. Peito de remador!

E para ter esse peito todo é preciso REMAR, muitas vezes contra a corrente…por isso REME!

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