Sobre Começar do Zero

Começar do zero… foi essa a impressão que eu tive ao perceber que nos últimos quatro meses de abandono do blog, eu ignorei os emails do wordpress e não renovei a assinatura, o domínio http://www.mahmelie.com estava à salvo, mas os meus textos antigos estão vagando por ai na nuvem e pelas lembranças dos meu queridos leitores.

Tive que recomeçar desde os trâmites de ligar o domínio ao wordpress, até determinar o layout, tudo de novo, fora ter perdido os meus textos! Da primeira vez foram meses pensando no tema do site, nas fontes e nas fotos e pensar em começar do zero deu uma preguiça…

Nesses últimos quatro meses eu mudei de cidade, de trabalho, de vida e um pouco antes da transição final eu usava com frequência a expressão começar do zero, de forma que essa três palavras resumissem exatamente todos os detalhes e questões da nossa mudança e hoje, finalmente depois de colocar novamente o meu site online elas voltaram na minha cabeça…

COMEÇAR DO ZERO…

A matemática diz que o 0 é a ausência de unidades, é vazio, uma lacuna.

A palavra zero vem do francês zéro do vêneta zero, que (juntamente com cifra) vem do Italiano zefiro que tem origem do árabe صفر, ṣafira = “vazio”, ṣifr = “zero”, “nada“.

Começar do zero é uma coisa um pouco assustadora, se pensarmos bem nas implicações dessa matemática, esse zero é uma espécie de vácuo de tudo, um areal deserto e inóspito cheio de nadas. Me lembrei do dia um da nossa mudança e de todas as outras mudanças que já fiz e da sensação que é uma mistura de topor anestesiante com estar flutuando no nada…

Novos vizinhos, novas relações, nova padaria boa para ir, as melhores ruas para seguir. Um novo cabeleireiro, novos colegas do filho, novas escolas, novos pais dos colegas dos filhos. Descobrir onde é o correio, o cartório mais agilizado, um médico amigo que te atenda em uma mega emergência…começar tudo do zero.

Mas percebi que começar do zero é exaustivo só de pensar. A expressão é boa, mas sejamos justos com nós mesmos, ninguém começa do zero. Carl Seagan já dizia que somos feitos de poeira de estrelas, a Gênese traz que “No princípio criou Deus o céu e a terra. Gênesis 1:1“, isto é, Deus já estava lá antes do zero.

Mesmo que haja a maior e mais complexa mudança de vida, ninguém começa do zero. O que é um alívio, afinal, por que raios passaríamos vivendo todos os dias anteriores? Seria um equívoco grotesco da nossa própria existência, erro óbvio que cometemos sempre, quando acreditamos em começar do zero.

Zero é um marco em uma linha constante, é uma lacuna, o zero é um pitstop. É o momento da corrida em que temos a chance de nos reidratarmos, comermos uma barrinha de proteína para dar um UP na musculatura, colocar um band-aid no pé ou trocar de tênis. É a oportunidade de rapidamente rever os teus últimos passos e estratégias e se for preciso, fazer os ajustes necessário para seguir e terminar essa longa maratona que é viver. E você pode parar quantas vezes quiser, porque viver não é uma competição. Viver é uma jornada dentro de si mesmo.

A criação do zero pode ser considerada um fato tão importante para a humanidade quanto o domínio sobre o fogo ou a invenção da roda, na pré-história. Apesar de ser um número natural, ele não foi criado como unidade natural, isto é, não foi criado para a contagem.

O zero foi o último número natural a ser criado. Sua origem deveu-se não à necessidade de marcar a inexistência de elementos num conjunto, mas uma concepção posicional da numeração.

**fonte: A história do Zero

Começar do zero então, nada tem a ver com ausência de coisas, perda de tudo ou uma imensidão de nadas, começar do zero é a soma de todos os dias vividos até aqui. De todos os nossos acertos, erros, dos dias lindos e dos mais tenebrosos também, um mix de todas as nossas lágrimas e sorrisos… de todas as batidas do nosso coração.

Toda vez que se parte do zero a gente começa um novo trecho da caminhada mais fortes, melhora as técnicas, utiliza todas as lições aprendidas até então e que são extremamente úteis para o futuro, uma lacuna é sempre um respiro…uma oxigenação mais profunda. Oxigênio esse que alimenta de energia as nossas células e reacende uma chama dentro de nós..

Assim, para terminar esse texto do começo do zero do novo Mahmelie, encerro citando Voltaire, “Na Natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” e assim somos também com os nossos recomeços do zero.

Voltei!

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