Deu merda nesse exame! – Minha amiga Lari: Parte II

Olá queridos, eu avisei pra pegar o lencinho, pegou? Então respira fundo e vamos seguir.

Eu falei que voltaríamos ao casamento, mas vamos voltar uns meses antes, nas palavras da minha amiga:

“Então, em março de 2013 fiz um exame de rotina e foi detectado um nódulo, procurei um mastologista que falou que a decisão era minha, retirar ou acompanhar um nódulo retroaoreolar de 3 cm. Decidi retirar porque quis e ponto. Retirei em março após fazer as fotos do ensaio do casamento que era dia 18/05.”

Sorriso mais iluminado do Brasil.
Sorriso mais iluminado do Brasil.

Após a cirurgia, procedimento simples, o médico falou que o nódulo tinha um aspecto não bonito e envolto por sangue, mas iria pra biópsia e não seria nada.  Veio a primeira biópsia, que não conseguiu concluir nada, então iria pra um laboratório de apoio fora de Jaraguá pra fazer uma outra biópsia, a imunohistoquímica. Já era final de abril e faltava pouco pro nosso casamento e eu bem mais atenta aos preparativos do que aos exames.

Era véspera do casamento dos queridos Edu e Lari, coincidentemente um dia depois do meu aniversário, era dia 17 de maio, casaram no civil pela manhã e almoçaram com a família e alguns padrinhos. À tarde foram para a pesagem do evento do UFC. Ali, por entre luvas, encaradas, orelhas de risólis e tudo mais, a Lari recebeu uma ligação, daquelas que… nos tiram o chão.

Era do laboratório de apoio querendo saber se ela já tinha ciência do resultado do exame, pois já estava pronto há umas 2 semanas e eles não tiveram confirmação de que ela o havia recebido.

Então que a ficha caiu e eu disse: “aproveita a festa que não tem mais o que fazer, mas deu merda nesse exame!”

E foi exatamente a imagem que eu resgatei da Lari no casamento, um ponto de luz, de felicidade irradiando positividade e alegria, disse ela: “assim eu fiz, com um sorriso no rosto, amor e cercada das pessoas que escolhi pra dividir esse dia comigo, aproveitei cada tiquinho da festa”.

E ai entendi a “bebedeira” do Edu e o rio de lágrimas, porque ninguém gostaria de perder aquela mulher, muito menos esse marido tão apaixonado, dedicado, amoroso, companheiro e uma longa…muito longa lista de atributos que merece esse pequeno e maravilhoso amigo.

É impressionante a veracidade da frase banal e corriqueira que diz, “ninguém sabe (MESMO) do sofrimento alheio”. E vou além, fica consolidada a questão de que cada pessoa é responsável pelo o que faz com o seu sofrimento e com os seus problemas. Dava pra imaginar o que se passava por trás de toda essa luz? Nesse momento fotográfico, só vemos mesmo o que interessa, o amor.

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E então, veio a segunda-feira. Era hora de pendurar o vestido de noiva e colocar o aventalzinho do médico, aquele mesmo, o da vergonha, que deixa o bumbum de fora. Na vibe do UFC, a luta começou!

E essa parte, a Lari que conta:

“Passado isso (o casamento) segunda fui atrás do meu médico. Muito calmamente ele disse que o exame já estava com ele há uns 15 dias, mas ele sabia do meu casamento e decidiu esperar pra dar a notícia.

A temida palavra, a frase que ninguém quer ouvir ainda mais quando se tem 29 anos e recém casada: – Você tem um câncer, um carcinoma papilar intracístico-.

Ele jogou limpo e disse que era raro, que ele não tinha experiência, mas que conversaram entre os médicos e decidiram que eu começaria rádio…quimio… E assim ia seguir. Fui pra casa calmamente, acho que calma anestesiada e decidi procurar outra opinião médica. Fui pra Curitiba consultei com um médico maravilhoso dr. Sérgio, aí começaram a investigação e novos exames.

Assim passavam os meses, já era julho quando decidimos fazer uma nova cirurgia para explorar se haviam outros focos e fazer uma mamoplastia redutora. Então dia 17/08 operei.

Todo material retirado foi pra biópsia e tudo veio negativo não havia mais nenhum carcinoma. Ficamos muito felizes e otimistas. Mas durante todo esse tempo, sempre achei que não era nada e passado um mês da cirurgia eu queria voltar a trabalhar. Sem noção pra proporção de tudo.

Passado um mês da cirurgia vieram os exames e o médico me encaminhou pra a quimioterapeuta que a partir dali, assumia o tratamento para o câncer. Foi onde, eu acho, que a ficha caiu novamente, eu tinha câncer e precisava tratar.

Afastei-me do trabalho em 17/08, mas sempre segui animada e otimista cercada de muito amor e pessoas maravilhosas. Dra. Ana minha quimioterapeuta maravilhosa, iniciou o tratamento pelas opções de medicamentos e por vários exames com as injeções de zoladex que me mantiveram “na menopausa”, assim me protegendo contra novos tumores.

Vieram os dias difíceis. Ficar em casa. Todos falando de você. Mil palpites. Efeito colateral do tratamento. Também os dias de radioterapia, receber a radiação, voltar com dor e efeito colateral também disso. E assim passaram os meses, em novembro vinham mais exames e cuidados e chegava a vez da temida quimioterapia.

Era pra começar, mas felizmente a equipe de excelentes profissionais que me tratam, deram a opção de fazer um exame chamado oncotype dx , onde o tumor retirado na primeira cirurgia foi preparado em blocos de parafina que iriam pra Califórnia, afim de serem analisados geneticamente, o resultado selava a confirmação ou exclusão da necessidade de quimioterapia. Então decidimos fazer. Meu plano de saúde não custeou e tivemos que pagar particular, um exame caro cerca de 4 mil e poucos dólares. Assim ficamos dezembro na expectativa de esperar o exame e continuar com os medicamentos”.

          Embora eu acredite que o chester e as uvas-passa tragam com o Natal sentimentos confusos e antagônicos nas pessoas (para algumas é claro, não é uma regra!!!!!! um dia falo disso), aquele 24 de dezembro de 2013 era um dia típico de filminho lindo de Natal para os nossos amigos, pois o papai noel trouxe o melhor presente de todos!
          Sim!!! Ela!!! A expectativa de vida.
          Os resultados daquele exame chegaram e descartavam a necessidade de fazer a quimioterapia. E foi ai que a Lari vestiu as luvas e deu mais um nockout no câncer. Assim que terminasse as radioterapias ela poderia voltar a trabalhar aos poucos e com paciência (que não habita aquele corpo) retomar a sua rotina normal.
          Com esse okay, em janeiro de 2014 a Lari voltou a atender os seu velhinhos, velhinhas e criancinhas, levando pra eles aquilo que ela mais tem para oferecer, além dos seus serviços especializadíssimos como fisioterapeuta, o seu sorrisão cheio de VIDA! 
          A rotina um pouco mudada com os novos cuidados foi se modelando. Na primeira visita que a Lari nos fez, essa derradeira para que a minha cabeça juntasse lé com cré, mais uma vez eu observava o Edu. Cada pouco ele aparecia com o dispenser com muitos comprimidinhos de todos os tamanhos, forminhas e corzinhas, ele é tipo o fiscal do Sarney do remédio, e por isso te amamos ainda mais Edu!!! Até porque eu não contei que embora muito animadinha e faceirinha a minha amiga é também muito…danadinha. Mas tem um marido que é tudo e além de tudo um bom fiscal!
          Esse ano na revisão dos exames, a Lari marcou mais uma visita à Catching Grapes, sairia de Curitiba e viria passar uns dias conosco.
É claro que eu estava empolgadíssima em receber os nossos queridos e fofocar horas com a minha amiga, mas também estava com um pouco de medo. Medo das notícias que poderiam vir junto na mala, exames sempre nos deixam no mínimo, apreensivos.
          Era noite e eles chegaram, não sem antes serem engolidos por umas das crateras gigantescas que enfeitam os asfaltos por ai afora e tiveram que dar uma trocadinha de pneu, já aproveitando para conhecer de longe uma bodeguinha ali em Água Doce.
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Por hoje é só pessoal! Amanhã tem a última parte dessa história de amiguinhas. Se você ama as suas amigas, não perca por NADA!!! Se toquem amigas!!!

2 comentários Adicione o seu

  1. Estela Marcos disse:

    Mto lindo me emocionei pois o Dudué meu sobrinho

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    1. mahmelie disse:

      Eles são muito especiais mesmo! Que bom que você gostou!!

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